
E assim chegamos a esse novo 007 – Cassino Royale, dirigido pelo mesmo Martin Campbell que já havia lançado Brosnan no papel de Bond, agora apostando mais uma vez num novo rosto para o agente secreto: Daniel Craig. O filme começa a todo vapor, mostrando Bond ganhando sua permissão para matar (exatamente a alcunha de “00”) numa audaciosa missão planejada por “M” (Judi Dench), sua chefe na Inteligência Britânica.
A partir daí surgem novos personagens e novas motivações. James Bond (Daniel Craig) em sua primeira missão oficial, tem de encontrar um banqueiro do crime chamado Le Criffre (Mads Mikkelsen) e impedi-lo de vencer um torneio de pôquer num cassino e usar o dinheiro para financiar o terrorismo e guerrilheiros. Para entrar no jogo milionário do Cassino Royale, Bond terá que entrar em ação com a ajuda de um informante local (Giancarlo Giannini) e uma agente do Tesouro Nacional (Eva Green) a tiracolo.
Como 007 – Cassino Royale é um filme que trata dos primeiros passos de James Bond, é interessante percebemos a estória como um começo de tudo. De como 007 moldou sua personalidade (em relação às mulheres, aos inimigos, ao trabalho), como ele foi descobrindo como tratar do ego no dia-a-dia e sua forma de utilizar a força física (que aqui é em alta voltagem), mas que com o passar dos anos passa a ser bem mais estratégico.
Daniel Craig é feio, carrancudo e carrega um bico por todo o filme, mas tem a imponência e a virilidade transbordando na tela num tom necessário para o ritmo da estória e a nova apresentação do personagem em si. Sua fórmula do Bond é simples, tem 10% de charme, 20% de físico e 70% de pura brutalidade, com um clima sombrio permeando o filme.
Está tudo no seu lugar: a abertura estilizada acompanhada de uma nova canção, cenas violentas, seqüências de ação de enlouquecer, paisagens perfeitas, mulheres sensuais, carros maravilhosos, algumas engenhocas (mas nada demais), o Martini e suas frases de efeito (“Bond. James Bond”), mas 15 minutos a menos de projeção não faria mal a ninguém.
INFORMAÇÕES ESPECIAIS
Martin Campbell: diretor de 007 Contra Goldeneye (1995), filme que lançou Pierce Brosnan como James Bond e trouxe de volta o sucesso à franquia de 007, Campbell também dirigiu o estrondo de bilheteria A Máscara do Zorro (1998), sua seqüência de razoável performance (A Lenda do Zorro de 2005) e Limite Vertical (2000);
Canção: You Know My Name, a canção que abre 007 – Cassino Royale é interpretado por Chris Cornell (vocalista da banda Audioslave), e foi feita especialmente para o filme em parceria com David Arnold, compositor da trilha sonora original de 007 – Cassino Royale;
Daniel Craig: Ator inglês que veio do teatro, Craig já fez pequenos, mas marcantes papéis em grandes filmes, como Elizabeth (1998), Estrada Para Perdição (2002) e Munique (2004). Atuou também no fraquíssimo Lara Croft: Tomb Raider (2001) e no curioso Camisa de Força (2005), mas dizem que os produtores o escolheram para 007 pelo papel em Nem Tudo É O Que Parece (2004);
Eva Green: francesa de encanto incomum, Green foi descoberta por ninguém menos que Bernardo Bertolucci, no qual a dirigiu em Os Sonhadores (2003). Emprestou também talento e beleza também para Ridlley Scott em Cruzada (2005);
Madds Mikkelsen: estreou em Hollywood com a nova versão de Rei Arthur (2004), o vilão Le Criffre veio da escola européia que filmava filmes de arte com base no movimento Dogma 95, como a trilogia Bledder;
Judi Dench: já interpretou “M”, a chefona de Bond, em outros quatro filmes da franquia (007 Contra Goldeneye de 1995; 007 – O Amanhã Nunca Morre de 1997; 007 – O Mundo Não é O Bastante de 1999; 007 – Um Novo Dia Para Morrer de 2002) e ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por Shakespeare Apaixonado (1998);
Giancarlo Giannini: veterano ator italiano que faz pequenos papéis em produções hollywoodianas como Caminhando Nas Nuvens (1995), Hannibal (2001) e Chamas da Vingança (2004);
Roteiristas: escrito originalmente pela dupla Neal Purvis e Robert Wade, responsáveis também por 007 – O Amanhã Nunca Morre de 1997; 007 – O Mundo Não é O Bastante de 1999, o roteiro teve o acabamento final dado por Paul Haggis, vencedor de três Oscars, roteiro adaptado por Menina de Ouro (2004), roteiro original e filme por Crash – No Limite (2005);
> Originalmente publicado no site http://www.opovo.com.br/ (coluna Script), em 20/12/2006.
Nota: 8,6
Trilha sonora nas caixetas: Be Yourself, Audioslave.

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