sábado, 2 de fevereiro de 2008

Bond. James Bond.

Depois de 10 anos e quatro filmes depois com Pierce Brosnan à frente da franquia multimilionária de James Bond, os produtores decidiram dar uma guinada no personagem. E para isso tomaram duas decisões: Primeiro, adaptar um livro de Ian Fleming, chamado Cassino Royale, no qual ele descreve os primeiros passos do agente 007. Segundo, já que se trata do início da carreira do agente secreto mais famoso do mundo, o ator teria que ser um pouco mais jovem para tal empreitada.


E assim chegamos a esse novo 007 – Cassino Royale, dirigido pelo mesmo Martin Campbell que já havia lançado Brosnan no papel de Bond, agora apostando mais uma vez num novo rosto para o agente secreto: Daniel Craig. O filme começa a todo vapor, mostrando Bond ganhando sua permissão para matar (exatamente a alcunha de “00”) numa audaciosa missão planejada por “M” (Judi Dench), sua chefe na Inteligência Britânica.

A partir daí surgem novos personagens e novas motivações. James Bond (Daniel Craig) em sua primeira missão oficial, tem de encontrar um banqueiro do crime chamado Le Criffre (Mads Mikkelsen) e impedi-lo de vencer um torneio de pôquer num cassino e usar o dinheiro para financiar o terrorismo e guerrilheiros. Para entrar no jogo milionário do Cassino Royale, Bond terá que entrar em ação com a ajuda de um informante local (Giancarlo Giannini) e uma agente do Tesouro Nacional (Eva Green) a tiracolo.

Como 007 – Cassino Royale é um filme que trata dos primeiros passos de James Bond, é interessante percebemos a estória como um começo de tudo. De como 007 moldou sua personalidade (em relação às mulheres, aos inimigos, ao trabalho), como ele foi descobrindo como tratar do ego no dia-a-dia e sua forma de utilizar a força física (que aqui é em alta voltagem), mas que com o passar dos anos passa a ser bem mais estratégico.

Daniel Craig é feio, carrancudo e carrega um bico por todo o filme, mas tem a imponência e a virilidade transbordando na tela num tom necessário para o ritmo da estória e a nova apresentação do personagem em si. Sua fórmula do Bond é simples, tem 10% de charme, 20% de físico e 70% de pura brutalidade, com um clima sombrio permeando o filme.

Está tudo no seu lugar: a abertura estilizada acompanhada de uma nova canção, cenas violentas, seqüências de ação de enlouquecer, paisagens perfeitas, mulheres sensuais, carros maravilhosos, algumas engenhocas (mas nada demais), o Martini e suas frases de efeito (“Bond. James Bond”), mas 15 minutos a menos de projeção não faria mal a ninguém.

INFORMAÇÕES ESPECIAIS

Martin Campbell: diretor de 007 Contra Goldeneye (1995), filme que lançou Pierce Brosnan como James Bond e trouxe de volta o sucesso à franquia de 007, Campbell também dirigiu o estrondo de bilheteria A Máscara do Zorro (1998), sua seqüência de razoável performance (A Lenda do Zorro de 2005) e Limite Vertical (2000);

Canção: You Know My Name, a canção que abre 007 – Cassino Royale é interpretado por Chris Cornell (vocalista da banda Audioslave), e foi feita especialmente para o filme em parceria com David Arnold, compositor da trilha sonora original de 007 – Cassino Royale;

Daniel Craig: Ator inglês que veio do teatro, Craig já fez pequenos, mas marcantes papéis em grandes filmes, como Elizabeth (1998), Estrada Para Perdição (2002) e Munique (2004). Atuou também no fraquíssimo Lara Croft: Tomb Raider (2001) e no curioso Camisa de Força (2005), mas dizem que os produtores o escolheram para 007 pelo papel em Nem Tudo É O Que Parece (2004);

Eva Green: francesa de encanto incomum, Green foi descoberta por ninguém menos que Bernardo Bertolucci, no qual a dirigiu em Os Sonhadores (2003). Emprestou também talento e beleza também para Ridlley Scott em Cruzada (2005);

Madds Mikkelsen: estreou em Hollywood com a nova versão de Rei Arthur (2004), o vilão Le Criffre veio da escola européia que filmava filmes de arte com base no movimento Dogma 95, como a trilogia Bledder;

Judi Dench: já interpretou “M”, a chefona de Bond, em outros quatro filmes da franquia (007 Contra Goldeneye de 1995; 007 – O Amanhã Nunca Morre de 1997; 007 – O Mundo Não é O Bastante de 1999; 007 – Um Novo Dia Para Morrer de 2002) e ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por Shakespeare Apaixonado (1998);

Giancarlo Giannini: veterano ator italiano que faz pequenos papéis em produções hollywoodianas como Caminhando Nas Nuvens (1995), Hannibal (2001) e Chamas da Vingança (2004);

Roteiristas: escrito originalmente pela dupla Neal Purvis e Robert Wade, responsáveis também por 007 – O Amanhã Nunca Morre de 1997; 007 – O Mundo Não é O Bastante de 1999, o roteiro teve o acabamento final dado por Paul Haggis, vencedor de três Oscars, roteiro adaptado por Menina de Ouro (2004), roteiro original e filme por Crash – No Limite (2005);

> Originalmente publicado no site http://www.opovo.com.br/ (coluna Script), em 20/12/2006.

Nota: 8,6


Trilha sonora nas caixetas: Be Yourself, Audioslave.

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