quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Trash, trash, trash!

Os produtores tinham tudo planejado para fazer mais um filme cult. Escolheram um roteiro podreira que ninguém queria filmar há anos. Soltaram na internet notícias que o filme era um conceito de sucesso. Contrataram um diretor afeito ao tema sangue versus risos (David R. Ellis, de Premonição 2) e um astro que topa qualquer parada (Samuel L. Jackson, indicado ao Oscar de melhor coadjuvante por Pulp Fiction, lembram?).


Sim, topa qualquer parada, porque esse novo Serpentes à Bordo é simplesmente um lixo!

O fiapo de história: testemunha ocular de um perigoso criminoso embarca num avião escoltado pelo agente do FBI Neville Flynn (Jackson) rumo à Los Angeles. Para eliminá-lo, o mafioso Chen solta em pleno vôo mais de 400 serpentes venenosas prontas para atacar.

E agora, o que fazer? Chamar o Chapolin Colorado? Não! Samuel L. Jackson (com a maior pose de bonzão) resolve a parada! Além de ser um filme extremamente previsível, o que assistimos na tela é um festival de frases toscas e atuações (ou gritos) dignas de Framboesa de Ouro, com uma série de cenas nojentas, bizarras e absurdamente engraçadas (o cachorrinho, as mortes no banheiro, o braço podre do pirralho e uma 'homenagem' a outro trash Anaconda...), refletindo tudo isso na sua bilheteria, bem aquém do esperado.

Se você tiver tempo não o perca nesse filme, a não ser que masoquismo e dinheiro sobrando para torrar numa porcaria não seja um problema.

SERPENTES À BORDO (Snakes on the Plane, EUA/ALE, 2006).
De David R. Ellis. Com Samuel L. Jackson, Julianna Margulies e Nathan Phillips. 105 min.


> Originalmente publicado no jornal O Povo, caderno Guia Vida & Arte, em 08/09/2006.

Trilha sonora nas caixetas: Insônia, Cosmotone.

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